Taxi aéreo: gargalos podem impedir setor de decolar

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O desenvolvimento do pré-sal e o plano de negócios da Petrobras, que prevê investimentos de R$ 224,7 bilhões de 2011 a 2015, devem garantir o ciclo de crescimento do mercado de helicópteros fretados para operações offshore (em mar) até 2020, avaliam companhias do setor. As empresas ressalvam que parte do potencial de desenvolvimento poderá ser desperdiçado como conseqüência de gargalos que impedem o setor de deslanchar.

Para o diretor financeiro da operadora de taxi aéreo Líder Aviação, Ronaldo Ribeiro, o apagão de profissionais qualificados, principalmente de pilotos, é o principal entrave que as companhias terão que enfrentar. “Operamos no limite, ninguém pode faltar e não há margem para absorver uma demanda adicional”, aponta.

O descompasso entre a oferta desta mão de obra e a necessidade do mercado offshore já reprime o crescimento do setor, observa a coordenadora comercial da BHS, companhia especializada no fretamento de helicópteros para operações offshore, Valnéia Oliveira. “A atividade não depende apenas da demanda das petroleiras para crescer”, ressalta.

A escassez de pilotos tem inflacionado a remuneração paga à categoria, aumentando o custo das empresas, alega o diretor financeiro da operadora, Ronaldo Ribeiro. “Se não pagarmos mais, perdemos o profissional”, explica.

No final do ano passado, aeronautas e empresas do setor aéreo acordaram reajuste salarial de 6,5% sobre os salários da classe, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). A elevação representou ganho real de 0,33% sobre a inflação – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – acumulada nos 12 meses até primeiro de dezembro de 2011.

Ribeiro afirma que a falta de pessoal especializado é fruto do elevado custo de cursos de capacitação e o tempo gasto para a formação, que chega a ultrapassar um ano. Segundo ele, a Líder tem investido em programas internos voltados para complementar a qualificação de seus pilotos, na tentativa de driblar o obstáculo.

De acordo com a Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros (Abraphe), o segmento offshore precisará de mais 650 pilotos e co-pilotos até 2020, o que ampliaria os postos de trabalho para estes profissionais para algo em torno de 1.300. Segundo a entidade, a Agência Nacional de Aviação (Anac) emite aproximadamente de 300 licenças para Piloto Comercial de Helicóptero (PCH) por ano.

O gargalo de infraestrutura física é outro fator que dificulta a operação das companhias, salienta Ribeiro, da Líder Aviação. “De forma geral, não há mais espaço para operar nos aeroportos brasileiros”, afirma. O executivo disse que, diante da situação, a empresa corre atrás de licitações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) para arrematar áreas onde possam construir hangares.

O executivo afirma que a companhia também chegou a avaliar a possibilidade de construir um heliporto no estado do Rio de Janeiro, para evitar que um nó de infraestutura prejudicasse seu negócio no futuro. Ele afirma, porém, que o projeto foi engavetado, já que os principais clientes da empresa não puderam se comprometer a garantir a demanda para justificar o investimento.

“Os contratos com a Petrobras só são fechados por meio de licitações, o que impede a estatal de garantir demanda futura”, explica, ao ressaltar que a petroleira responde por 85% das operações offshore da Líder.

Para o diretor Comercial da TAM Aviação Executiva, Leonardo Fuíza, a concorrência desleal, fruto da falta de fiscalização, é um dos maiores problemas do segmento de helicópteros fretados e do mercado de taxi aéreo como um todo. “Não consideramos este um negócio muito bom, pois os concorrentes competem de forma desigual, já que algumas empresas se recusam a cumprir exigências técnicas e de segurança”, ressalta. Segundo ele, companhias que seguem por esta via conseguem oferecer preços inferiores à média do setor.

O executivo frisa que, por esta razão, a empresa controlada pelo grupo TAM não planeja investir para ampliar sua participação no setor de fretamento de aeronaves enquanto as condições atuais permanecerem. “Não vamos sair do mercado, mas também não vislumbramos expansão”, afirma.

A empresa não freta equipamentos de voo para operações offshore, mas pretende se beneficiar da crescente demanda proveniente desta área por meio da venda de helicópteros para as petroleiras, afirma o executivo. “Vamos começar a comercializar os produtos até 2015″, projeta, ao destacar que a empresa é representante da norte-americana Bell Helicopter no Brasil.

Segundo Fiúza, a companhia ainda não ingressou no mercado porque os modelos da fabricante disponíveis no País não têm capacidade de cobrir as longas distâncias envolvidas nas operações de exploração e produção em campos em alto mar.

Apesar dos entraves, operadoras do mercado ampliam suas frotas para acomodar a demanda das petroleiras. A Líder fechou 2011 com 58 helicópteros, quantidade que pretende elevar para 65 em 2012, afirma Ribeiro. A empresa, que também presta serviços de taxi aéreo executivo, viu o peso do segmento offshore em sua receita ultrapassar a linha dos 50% em 2009 e chegar ao patamar de 53% no ano passado.

“Operamos nesta área desde 1972, mas o crescimento dos contratos começou a acelerar com mais vigor em 2003″, destaca Ribeiro. Além da Petrobras, a companhia presta serviços para Shell, Chevron e Statoil.

A BHS, por sua vez, dobrou a frota para 36 helicópteros nos últimos 18 meses, de acordo com Valnéia. A carteira de clientes da operadora inclui a estatal brasileira e britânica British Petroleum (BP).

Fonte: Jornal do Comércio